Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

Li Ye (floruit 760 - 780)

A Modo de Usar & Co. segue hoje com a série de postagens sobre poetas chinesas da Dinastia Tang, a cargo dos tradutores Ricardo Portugal e Tan Xiao, com pequenas notas biográficas seguidas de uma nota introdutória comum dos tradutores.

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Li Ye (李冶) foi uma poeta chinesa da Dinastia Tang, da qual sobreviveram 16 poemas, 12 dos quais foram preservados em antologias da Dinastia. Acredita-se que foi cortesã e monja taoísta, como Yu Xuanji. A poeta morreu por volta do ano 784.


--- Modo de Usar & Co.

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Nota dos tradutores

A literatura da China tem uma longa tradição feminina. Dentre os catalogados 2.200 escritores da Dinastia Tang (618-905 d.C.), considerada o período de ouro da cultura clássica naquele país, citam-se 190 mulheres. A Dinastia Tang chinesa foi um dos momentos da história mundial em que a condição da mulher mais se aproximou de uma posição favorável na sociedade, de quase igualdade de gênero. Uma grupo expressivo daquelas artistas mulheres era formado por monjas taoístas e por cortesãs. Estas duas castas eram intercomunicantes (houve vários casos de cortesãs que se tornaram monjas taoístas e vice-versa), sendo formadas por mulheres de vida autônoma e vinculada à intelectualidade da época.

Os dez poemas abaixo são das três autoras consideradas mais importantes nessa tradição – Yu Xuanji, Li Ye, Xue Tao. Os poemas de Yu Xuanji aqui citados foram publicados em 2011, pela UNESP, em edição bilingue, com traduções, notas e prefácio preparados por nós. Os das outras duas poetas compõem antologia da Dinastia Tang que estamos preparando para publicação próxima. Feliz ano do dragão para todos!

--- Ricardo Portugal e Tan Xiao.


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POEMAS DE LI YE :

湖上卧病喜陆鸿渐至


昔去繁霜月

今来苦雾时。

相逢仍卧病

欲语泪先垂。

强劝陶家酒

还吟谢客诗。

偶然成一醉

此外更何之。



DOENTE JUNTO AO LAGO – SAUDAÇÃO A LU YU


Sobre a geada a lua, à tua ida

e hoje retornas na amarga neblina

Eis-me deitada, enferma, aqui me encontras

À fala acorre a lágrima, escorre

Vens, e do vinho de Tao me ofereces

e te devolvo um poema de Xie

Encher a cara contigo outra vez

mais do que isso, que posso querer?



相思怨


人道海水深

不抵相思半。

海水尚有涯

相思渺无畔。

携琴上高楼

楼虚月华满。

弹著相思曲

弦肠一时断。

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CANTO DE SAUDADE


Profundo, dizem do mar, suas águas

tão mais ao fundo chega a saudade

Mar sem margens, larga a sua praia

e mais longe alcança meu sentimento

Tomo o alaúde, subo as escadas

só no terraço, com a lua cheia

e esta canção que diz: estou triste

toco e arrebento as cordas, as tripas


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Sobre os tradutores:


Ricardo Primo Portugal é escritor e diplomata, graduado em Letras pela UFRGS. Está completando sete anos vivendo e trabalhando na China, primeiro em Pequim, depois em Xangai e, a partir de 2010, em Cantão (Guangzhou). Publicou: DePassagens (Ameop, 2004), Arte do risco (SMCPA, 1992), entre outros. Foi co-organizador da edição bilíngue chinês-português Antologia poética de Mário Quintana (EDIPUCRS, 2007), primeiro livro de poeta brasileiro traduzido para o chinês, com o apoio do Consulado Geral do Brasil em Xangai. Em junho de 2011, saiu, pela UNESP, Poesia completa de Yu Xuanji, edição bilíngüe da obra da poetisa clássica chinesa (Dinastia Tang), com traduções suas, em parceria com a esposa, Tan Xiao, primeira obra completa de poeta daquele país editada no Brasil, traduzida diretamente do original chinês. (ver: http://www.editoraunesp.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=1267). No final de 2011 publica, pela editora 7 Letras, [Zero a Sem], haicais (ver: https://www.7letras.com.br/zero-a-sem.html).

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Tan Xiao é graduada em Letras, com ênfase em língua inglesa e ensino das línguas inglesa e chinesa pela Universidade Zhong Nan, Changsha, Hunan, República Popular da China. Estudou português na UnB. Foi intérprete e tradutora português-chinês da Embaixada do Brasil em Pequim e trabalhou no escritório brasiliense da empresa Huawei. Atualmente, faz o mestrado em lingüística na Universidade de Línguas Estrangeiras de Guangdong (“Guang Wai”, 广外).

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1 comentários:

ThaisM disse...

gostei.