Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

Víctor López Zumelzu



Víctor López Zumelzu nasceu em Curacaví, Chile, em 1982. Publicou os livros Los surfistas (Bahía Blanca: Ediciones Vox, 2006) e Guía para perderse en la ciudad (Santiago: Ripio Ediciones, 2010). Os poemas abaixo foram extraídos de Los surfistas e publicados no segundo número impresso da Modo de Usar & Co. O poeta vive e trabalha em Santiago do Chile.


--- Marília Garcia

§


POEMAS DE VÍCTOR LÓPEZ ZUMELZU


Utensílios cortantes

Todos os utensílios cortantes são brilhantes e luminosos
refiro-me a uma ilusão troiana não a uma ilusão dantesca

nem romântica do suicídio

Lá estão nos esperando sem linguagem navalhas lâminas de barbear
garrafas quebradas

Desejando que o céu caia sobre nossas cabeças
como uma grande bola de discoteca (com todos seus espelhos)

quando precisamente não estamos em uma discoteca
mas aqui no outro extremo de uma praça

pensando em alguém ou simplesmente acariciando
o pelo claro de um gato lambendo a noite.


(tradução de Marília Garcia)


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utensilios cortantes: Todos los utensilios cortantes son brillantes y luminosos / a una ilusión troyana me refiero no a la ilusión dantesca / ni romántica del suicidio / Ahí están esperándonos sin lenguaje navajas hojas de afeitar / botellas rotas / Deseándonos que el cielo se nos venga encima / como una gran bola disco (con todos esos espejos) / cuando precisamente no estamos en una disco / sino que aquí al otro extremo de una plaza / pensando en alguien o simplemente acariciando / el cabello claro de un gato lamiendo la noche.



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Panorama II

Nada tem a ver este lugar com a sua felicidade
Ela se senta na primavera cruza os dedos e adormece.

No estacionamento as sirenes das ambulâncias perdem as folhas
com o primeiro sinal de chuva, assim como as buganvílias

O homem da maca sonha algum dia em se deitar e fazer parte
deste breve percurso até a floresta

Outro dia colocou tantos comprimidos na boca que a cidade lhe pareceu
uma gigantesca mancha de azeite que alguém por descuido

despejou sobre uma toalha de mesa alheia

Horas dias minutos de espera

Com o tempo as linhas das folhas se tornam mais quebradiças
As dobras desaparecem

Lembra de ter tido um namorado francês que conheceu
em uma loja de fotografia

O qual lhe disse que em outros lugares se erguem
grandes balneários artificiais com ondas e tudo o mais

Do outro lado do vidro há um mar que recua
uma lâmpada um pequeno espaço que se ilumina

Enquanto ela pensa naqueles balneários que gente desconhecida
constrói muito longe daqui

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panorama ii: Nada tiene que ver este lugar con su felicidad / Ella se sienta en primavera cruza los dedos y se duerme. / En el estacionamiento las sirenas de las ambulancias se deshojan / a la primera señal de lluvia al igual que las buganvilias / El camillero sueña algún día tenderse y ser parte / de ese breve recorrido hacia la floresta / El otro día colocó tantas pastillas en su boca que la ciudad le pareció / una gigantesca mancha de aceite que alguien por descuido / instaló sobre un mantel ajeno /Horas días minutos de esperar / Con el tiempo las líneas de las hojas se vuelven más quebradizas / los pliegues desaparecen / Recuerda haber tenido un novio francés que conoció / en una tienda de fotografía / El cual le dijo que en otros lugares se levantan / grandes balnearios artificiales con olas y todo eso Al otro lado del cristal hay un mar en retirada / una lámpara un pequeño espacio que se ilumina / Mientras ella piensa en aquellos balnearios que gente desconocida / construye muy lejos de aquí


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