
Victor Heringer nasceu em 1988, no Rio de Janeiro, onde ainda vive. O poeta cursa o mestrado em Teoria Literária na Faculdade de Letras da UFRJ e é autor de duas plaquetes de poesia, Quando você foi árvore (2010) e canção do sumidouro (2010), disponíveis em seu site: http://automatografo.org. No momento, o poeta está terminando seu primeiro romance, chamado Glória, e pesquisando imagens em domínio público para um livro de memórias ao estilo do Itinerário de Pasárgada, mas de um poeta fictício.
Seu primeiro livro foi publicado em 2011, intitulado Automatógrafo (Rio de Janeiro: 7Letras, 2011). Também artista visual, o jovem poeta tem trabalhado com uma preocupação material da linguagem além-gêneros, dentro do que venho chamando de textualidade, a função poética do texto operando na fronteira entre transparência e não-transparência do signo. No trabalho de poetas como Heringer, o jogo entre função poética e as outras funções da linguagem operantes no poema funciona por opacidade, que se torna uma virtude em seu equilíbrio a permitir a existência do texto em sua funcionalidade vocal e literária. Heringer tem desenvolvido um dos trabalhos atuais com vídeo que mais aprecio, recorrendo a aspectos da poesia experimental do pós-guerra, mas talvez mais ligado a poetas contemporâneos como o americano David Antin em sua mímica do enunciado oral, ou o sueco Karl Holmqvist no uso da escrita em conjunto com o oral. O poema em vídeo "este verso será grande", por exemplo, faz um uso que me parece eficiente da anáfora, com uma metalinguagem irônica em relação às ambições do poeta, num texto de caráter conceitual que enuncia o que pretende fazer - mas embaralhando a relação difícil do poema entre o seu dizer e este seu fazer. É como se insinuasse que o poema morde ao ladrar. Há aqui tanto a espontaneidade oral, mas suprimida em grande parte, de certos poetas da década de 70, no entanto com um aspecto conceitual que me lembra, por exemplo, certos textos dos poetas austríacos do Grupo de Viena, como Konrad Bayer, ou dentre os contemporâneos os de Nora Gomringer (Alemanha, 1980), como os de seu último livro, Nachrichten aus der Luft (Dresden: Voll und Quist, 2010), ou seu poema "Ich werde etwas mit der Sprache machen" (Eu vou fazer algo com a linguagem). Abaixo, "este verso será grande", de Victor Heringer.
Em "canção da calamidade", Heringer lança mão da voz e da apropriação de material já existente, algo que bebe na fonte da colagem dadaísta e seu herdeiro, o détournement situacionista, o que não deixa de ser pungente em se tratando de um desenho infantil.
Nem todos os vídeos alcançam uma boa resolução destas questões, mas trata-se de um belo trabalho em andamento. Em seus poemas do livro Automatógrafo, penso naquela lírica analítica que venho discutindo no trabalho de outros poetas cariocas como Marília Garcia e Juliana Krapp, a da consciência da realidade como ilha de edição, de um eu lírico autodepreciativo e consciente de suas limitações não-alephianas. A epígrafe de Joseph Jastrow que Victor Heringer escolheu para seu livro parece-me muito apta neste sentido: "Sense-deceptions, faulty observation, distraction, exaggeration, illusion, fallacy, and error are not idle abstract fancies of the psychologist, but stern realities." Nisto, há uma proximidade entre certa poesia contemporânea brasileira e o que Ron Silliman vem chamado de poesia post-Language, em referência à opacidade crítica dos poetas em torno da revista L=A=N=G=U=A=G=E e alguns dos jovens poetas contemporâneos americanos que herdaram e complicaram certas questões expostas nos artigos críticos destes poetas da década de 70, como Christian Hawkey e Juliana Spahr, para citar apenas dois dentre a miríade de bons poetas em atividade hoje nos Estados Unidos; ou em poetas franceses como Christophe Tarkos e Nathalie Quintane, estes estranhos-no-ninho do cenário francófono. Isto está implícito no próprip título que Heringer deu a seu trabalho, e elaborada no texto em prosa homônimo, que é, em coerência contextual, uma colagem.
o automatógrafo (1)
Victor Heringer
O mecanismo é constituído por uma pesada placa de vidro encaixilhada numa armação de madeira, assentada sobre três patas ajustáveis. Sobre a placa há três esferas de latão ou aço perfeitamente polidas e dispostas em forma de triângulo (2) que servem de suporte a uma fina lâmina de cristal, de moldura mais leve. As pontas dos dedos são delicadamente postas sobre a placa superior. Quando tudo está ajustado, e as esferas e a placa de cristal previamente untadas de óleo, é praticamente impossível manter o aparato perfeitamente imóvel por mais de alguns poucos segundos: ao menor desequilíbrio, a placa superior começa a deslizar de forma irregular. De olhos fechados e com a atenção firme numa imagem mental ou num fluxo de pensamento, tem-se a convicção de que a máquina está quieta, mas os registros provam que esse não é o caso. As outras partes do mecanismo são projetadas para oferecer um registro permanente desses sutis movimentos. Presa ao caixilho da lâmina de cristal, há uma estreita haste de aproximadamente dez polegadas de comprimento, em cuja ponta repousa um cilindro de cortiça verticalmente disposto, dentro do qual há um pequeno tubo de vidro, que encerra, por sua vez, um cilindro menor, de vidro, com a ponta suave e arredondada, semelhante a um lápis. A extremidade do cilindro descansa sobre uma folha de papel esmaltado enegrecido pelo contato com o fogo. Assim, qualquer movimento imposto pela mão à placa de cristal move o cilindro, que arranha a superfície do papel negro, imprimindo de maneira precisa qualquer deslocamento. Como o propósito do artefato é escrever movimentos involuntários, não parece absurdo dar-lhe o nome de automatógrafo, e, aos registros que produz, de automatogramas. O processo de obtenção de um automatograma se dá da seguinte maneira: o sujeito deve pôr a mão sobre o automatógrafo, com o braço em posição suficientemente confortável. Então, sua atenção deve voltar-se para os sons, números, cores, letras, objetos, volumes, lugares, aromas etc. que se apresentam. Ele é instruído a pensar o menos possível em sua mão e, ainda assim, fazer um esforço razoável para não movê-la. Para evitar que o sujeito interfira nos resultados, uma cortina é interposta entre ele e o registro, com uma abertura própria para o braço. O operador, do outro lado, mantém o lápis de vidro nas mãos e, quando tudo está preparado, deixa-o escorregar para dentro do tubo e começar a escrever, retirando-o novamente depois de um determinado intervalo de tempo ou quando o registro lhe parece completo.
1 Os três parágrafos que se seguem são uma tradução/corte/colagem do artigo
“Involuntary Movements”, publicado em abril de 1892 na revista Popular
Science, de autoria de Joseph Jastrow, professor de psicologia experimental e
comparativa da Universidade de Wisconsin.
2
O triângulo é o único polígono cujos vértices se comunicam entre si.
(n. do a.)
O poeta pratica no livro um intercâmbio entre gêneros, indo do texto-prefácio ao uso de enjambements-surpresa , mas impera um tom reconhecível de voz, em enunciados que passam longe do espontaneísmo coloquial muitas vezes frouxo da poesia do desbunde carioca, aproximando-se mais do que Pound gostava de chamar de "conversation between intelligent men". Recorre à ironia em uma espécie de epistolário, como em "Notícias para Nira" ("O tempo aqui anda estranho. / (...) Faço sambas para o tango e tangos para os homens / sadios. Desnecessitam, porque morrem em qualquer / curva do ponteiro, nas mais bestas, / a senhora veja. Sem tempo, nem prestam atenção. / No mais, / o deus da senhora continua traquinas. / Diz “meu deus” a tudo; / clama por si próprio quando não lhe entendem / a galhofa. Às vezes tomamos café juntos"), e com não menos ironia visita a memorialística:ode à genética
De todas, a deusa mais cruel
Victor Heringer
Pedicuro de Vargas, cronista bissexto,
suposto filho de Ogum, irmão de Zé Pelintra,
meu avô, da casta das ruas assimétricas,
cujo brasão é desenhado a creiom de cera.
Bigode ralo, terno branco e desgraça pouca,
tudo comido pelas margens;
fora delas, o sapato é macio, a cerveja não tarda
e a Lapa amanhece pelando. Ainda há o escuro,
tráfico de tudo, em que se gasta inteiro o salário:
maçãs, muitas maçãs para a caçula.
A caçula é minha mãe,
eu sou a foto de meu avô materno,
por desconcerto de século,
eu sou a foto de meu avô paterno,
no jornal, figura ilustre de São Pedro da Serra,
conhecedor de inúmeras alquimias,
qual colorir açúcar refinado e dar-lhe nomes
novos, de preços maiores. Meu avô,
inventor de orquídeas e fugas destrambelhadas,
inimigo mortal das instituições de ensino,
dos ônibus que levam crianças, dos arquivos.
Ermitão, filho de paredes artesanais, violonista
frustrado, empresário sem-sucesso
do ramo do escargô. Na fotografia do jornal,
a todo cinza envelhecida, a manchete diz
considerado meio maluco, pioneiro do fim do mundo.
Os parâmetros são claramente distintos dos que guiaram a poesia brasileira nas duas últimas décadas, sem o frisson fetichista da elipse e do paratático (fetiches, diga-se de passagem, em meu próprio trabalho poético), ainda que sua sintaxe seja bem menos hipotática em vários poemas do livro, como "Meridiano 43" e "Trailer", vocalizados por ele no vídeo que preparamos para esta postagem. É por estas oralizações que eu poderia recorrer aqui a asserções sobre um retorno atual à tradição bárdica, humor que nos remete em vários poetas contemporâneoas brasileiros à poesia do Goliardos, narratividade herdada dos griots e skalds. Nos melhores poemas, ritmo volta a ser eixo composicional privilegiado.
Oração
Victor Heringer
Olhai por nós, pecadores; estamos cansados.
Canonizai os flanelinhas, os endomingados nos museus,
os cirurgiões oftalmologistas, os estrábicos,
os daltônicos, os heterocrômicos, os cineastas,
os olheiros do futebol, os que espiam as mulheres
em trocadores de lojas de departamento, os que
se deleitam em testemunhar o coito alheio,
os glaucomatosos, os que não choram embaçado, os
[...]
Os que nadam de olhos abertos, os que morrem
de olhos abertos, os que matam de olhos abertos,
os que viram discos voadores e os que viram o diabo,
os que andam em montanhas-russas sem fechar os olhos ao medo,
os espiões, os cobiçadores da mulher do próximo
e os esguelhas, os desvendados.
Nós estamos cansados. Aqui tudo se vê,
mas todos dizem meteorologias;
para cima, toda conversa é de elevador.
Aqueles que Ezequiel Zaidenwerg ironizou em seu poema "Lo que el amor les hace a los poetas" como "los que cortan sin razón sus versos diminutos; / a los jinetes compulsivos; / a los diseñadores tipográficos del verso; / a los que quiebran la sintaxis sin saber / torcerla", chamarão isto tudo de "poesia discursiva". Mas com estes já não conseguimos conversar, incapazes como se tornaram de coordenar duas sentenças seguidas sem perder o fio da meada, a coerência e a elegância, os que borrifam três vocábulos desconexos sobre a página e acreditam com isso conquistar a concisão, ah, a concisão.
Tentarei praticá-la eu mesmo agora, deixando-os simplesmente com o próprio Victor Heringer, vocalizando alguns dos poemas de Automatógrafo e o texto que publicamos no terceiro número impresso da Modo de Usar & Co.. Vídeo gravado por Marília Garcia e este que vos escreve no Rio de Janeiro, no dia 10 de dezembro de 2011.
--- Ricardo Domeneck
§
POEMAS DE VICTOR HERINGER
Victor Heringer vocaliza os poemas "Posições desconfortáveis", "Meridiano 43", "Intervalo comercial entre duas comédias", "Trailer" e "Pós-moderno/Twitter", do livro AUTOMATÓGRAFO (Rio de Janeiro: 7Letras, 2011), e ainda o poema "Alérgico ma non troppo", publicado no terceiro número impresso da MODO DE USAR & CO.. Gravado no Rio de Janeiro, a 10 de dezembro de 2011. Um vídeo de Marília Garcia e Ricardo Domeneck.
:
Posições desconfortáveis
cotovelo no asfalto em cotovelo cotovela.
a fila espera. estou na fila. espero também.
a fila dá a volta num quarteirão inteiro
que suspeito não ser um quadrado perfeito.
não sei o que espero. não sei se a fila sabe.
espero. não pergunto. seria ridículo, agora,
depois de tantas horas com a mesma cara
bovina. sei fazer cara bovina. muito bem.
trouxe coisas para me ocupar: um jornal;
um lápis para escrever o Tratado para a
desinvenção da penicilina, opus magnum
romantiquinha; cinco dores (uma moral).
esqueci algumas outras coisas. me ocupo
com as que ficaram longe: o mínimo
necessário (por exemplo) para aterrissar
um aeroplano num rio que parece o mar.
a fila anda. eu ando atrás. não sei do quê.
ouvi dizer que é bom, bonito, barato não sei.
ouvi dizer de esquina, assim, canto de boca,
assim um sussurro que cotovelou o quarteirão
que não é um quadrado perfeito porque aqui
é o Rio de Janeiro. aquele é aquele. olharam
para mim. meu nome deu a volta no cotovelo
dobrei meu rosto. tenho que esperar. espero.
não posso ir, agora, bovinamente, falam de mim:
aquele que nem chegou a amar aquela ali
no espaço daquele dia. o que faz logo aqui.
a fila anda. eu ando atrás. não sei do quê.
§
Meridiano 43
w/e
Gostamos muito de crises, nós.
Nós quem, cara pálida (ocidental
after all afinal we do). Nós de todos nós.
Vá para o Leste, sangria desatada;
antes o Rio nos espera (longe carnaval)
nos cubos da noite c/ punhais d’inverno.
.......– Não posso não devo não posso – repete
.......o tísico ao lado salta páginas de Pascal.
Casebre barulho tontura de assoalho.
Desça daí, olhe o planalto. Precário
bisturi esterno chão desenhado a falta.
Aftas a marchar nos olhos do tísico
em breve em breve vou com ele.
(Itinerário: Վանա լիճ e دریاچه ارومیه,
mares nossos, salinidades internas)
A cor e o corte serão elogiados
nas barbearias das fronteiras.
Até Teerã, reúno tosses e digo:
– Carrego na testa uma franja pesada,
que, dia sim/não, ainda cabisbaixa.
§
Intervalo comercial entre duas comédias
sugiro que por trinta segundos você esteja alegre.
faz calor, mas não importa.
há um idílio, lido lento.
a tevê anda desligada
há muito
você não se importa.
há vinhedos pelo mundo, pelas terras deste mundo
e os povos são todos você.
há o quieto das tréguas
das violências
só as cigarras
cantando porque morrem também.
já azedou
o leite na geladeira?
está devidamente servida
a mulher que gosta de carinhos espontâneos?
estão as nações todas
confortáveis dentro de suas fronteiras?
o que está para acontecer
§
Pós-moderno
Há pássaros que cantam e daí, e daí, e daí (condensados
num sons_da_natureza.mp3, no audiofone).
Vai pela vida fora – paletó de neon –
após anos de pesquisa de método.
Como e por que ter amigos,
influenciar pessoas, ser bem-sucedido,
ignorar os avanços da cosmofísica,
na direção de universos paralelos
– em todos choram matemáticos.
.......E daí, e daí, e daí.
Vai ao cinema pela tevê
aprender a fumar, flertar, morrer c/ Garbo.
Os pássaros dizem
.......e daí, e daí, e daí. Cita os pássaros;
anda na moda amar a natureza.
Fim de tudo passou rápido e ninguém viu.
Foi o hit da semana, adjetivíssimo.
Interna / dia. Departamento de imigração do estado
de Pasárgada: agentes checam passados.
O poema desleixado (seus terrorismos de terra molhada)
pode ser lido no filme sobre mudanças climáticas
dentro do filme sobre cada fonema de cada palavra de
[cada acadêmico que cabe
num pequeno gabinetezinho.
Entediantes. Tão clichê falar do tempo que faz
.......e daí, e daí, e daí.
Teoricamente, é construção em abismo
– instalar antenas em vento de praia.
Mal acabou de pensar num acidente aéreo,
§
Trailer
Película desgastada, P&B, ranhura em sépia
Rosto do Bandeira íntimo, tossindo em vídeo,
fotografia do selecionado do Bangu F.C. em 1914,
voz do Donga descalçando uma rua na Gamboa.
.......Ele quer a sorte calma dos arquivos,
.......a alma encantadora das fitas K7,
.......papéis da marca Bath, filmes 16mm.
Retomada de Paris, desconhecido de automóvel,
acidentes, panes, bebês sorrindo, pés de meninas,
maldades de meninos, maçã, sexo amador, óvnis,
bailes da terceira idade, enterros, concertos, sonetos,
gritos, tiroteios, bombinhas, prefeitos, cão, til, ás,
a, s, b, i, peo3908bsbbvczpw-_psi+sp.cod.lj=&.pdoc
// erro 400 – sintaxe inaceitável.
.......Ele quer ter os anos inventariados,
.......em saleta aclimatada, por 4 estagiários.
.......Ele não quer ter mais a sexta-feira que vem
.......e ainda assim ficar quase encarnado.
// erro 413 – solicitação muito extensa.
Terá saúde para ser decepcionado?
2011, nos cinemas,
tonto, no escuro, quase como que desistindo.
§
Alérgico ma non troppo
esperando a sagrada família
quando eu morrer cedo
(em verdade vos digo)
não vou ver concluída
a sagrada família
(está para dois mil e vinte e seis),
que sobrevive à mão que fez;
vai se construindo sozinha,
sem gaudí e, logo logo, sem mim.
e eu ainda estou de entremeio:
não tenho nada a ver – vou morrer
depois do começo e bem antes do fim.
imagino o que deus diria a respeito.
imagino que se vanglorie.
é o que eu faria,
se vivesse em barcelona
se tivesse um gato espanhol,
que só os gatos sabem de deus
(eu tenho alergia).
Poema do gato
Não sei fazer poema de gato
(ou de carteiro, de conversa boa, bombom de cupuaçu,
já que estamos neste assunto).
Não é do meu feitio
recender na língua o gosto da bala de coco
que um amor teu te deu,
sabe-se lá quando, embrulhada em papel sabe-se lá o quê.
Não que não me importem teus calores públicos
– veja bem –
ou tuas alegrias
de praça de alimentação.
É que talvez me faltem papilas de universalidade;
................estou prestes a dizer de alergias.
É que é de desconfiar, o poema
pisando manso-mansinho,
mais perto cada vez mais
hipoalergênico,
largando pelos de mentira,
ronronando pelaí,
enquanto o mundo espirra
ou finge que faz carinho,
sem encostar.
Assim.
§
Postagem preparada por Marília Garcia e Ricardo Domeneck.
.
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1 comentários:
Dear modo de usar & co,
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The Bosa Bosa Review
http://bosabosareview.blogspot.com/
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