
Pouco ou nada sabe-se ao certo sobre Meendinho (também conhecido como Mendinho e Meendiño). Apenas uma de suas cantigas de amigo sobreviveu, conhecida como "Sedia-m'eu na ermida de San Simion" e encontrada no Cancioneiro da Vaticana e no Cancioneiro da Biblioteca Nacional. Desta e de outras informações esparsas infere-se que Meendinho foi um jogral galego provavelmente nascido em Redondela ou Ria de Vigo, mas são conjecturas por sua referência à Ilha de São Simão na cantiga. Acredita-se que tenha vivido em meados do século XIII, talvez início do XIV.
"Sedia-m'eu na ermida de San Simion" é marcada pela simplicidade lírica dos trovadores galego-portugueses, mas apresenta um uso muito inteligente da permutação de versos, usando a repetição e ênfase típicas da poesia vocal e cantada, estratégia para a performance temporal de um texto sem que o público tenha o suporte visual da página-partitura mas, neste caso, Meendinho consegue ainda através desta escrita permutacional ilustrar a repetição ininterrupta dos infindáveis dias de espera pelo "amigo". É uma canção linda, dedicada aqui a todos os nossos leitores que andam a esperar o "amigo", com o desejo de que nenhum de nós morra "fremosa no mar maior".
--- Ricardo Domeneck
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A ÚNICA CANTIGA DE MEENDINHO QUE ALCANÇOU O NOSSO TEMPO
Interpretação para a cantiga "Sedia-m'eu na ermida de San Simion", dos galegos Xosé Quintas, Eloy e Anxel (anos 1970).
Sedia-m'eu na ermida de San Simion
Meendinho
Sedia-m'eu na ermida de San Simion
e cercaron-mi as ondas, que grandes son,
eu atendendo meu amigo.
Estando na ermida ant'o altar,
cercaron-mi as ondas grandes do mar,
eu atendendo meu amigo.
E cercaron-mi as ondas, que grandes son:
non hei i barqueiro, nen remador,
eu atendendo meu amigo.
E cercaron-mi as ondas do alto mar:
non hei i barqueiro, nen sei remar,
eu atendendo meu amigo.
Non hei i barqueiro, nen remador:
e morrerei fremosa no mar maior,
eu atendendo meu amigo.
Non hei i barqueiro, nen sei remar:
e morrerei eu fremosa no alto mar,
eu atendendo meu amigo.
Nota: uma versão da cantiga acrescenta ainda a pergunta "E verrá?" ao final de cada estrofe. Uma pequena discussão sobre os vários manuscritos pode ser lida na página Locus Criticus, da Universidade de Vigo.
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