Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Ezequiel Zaidenwerg


Ezequiel Zaidenwerg nasceu em Buenos Aires, em 1981. Publicou as coletâneas Doxa (Bahía Blanca: VOX, 2008) e La lírica está muerta (Bahía Blanca: VOX, 2011). Mantém um ótimo blogue de tradução poética, vertendo autores de várias línguas para o castelhano. Ezequiel Zaidenwerg vive e trabalha em Buenos Aires.

Apresentamos abaixo traduções para os seus poemas "Doxa" e "Lo que el amor les hace a los poetas", com um vídeo em que lê os textos, gravado em Berlim em novembro de 2010, durante sua participação no Festival Móvel de Poesia Latino-americana de Berlim.

Agradeço imensamente a André Costa por suas sugestões valiosíssimas para as traduções, e ao próprio Ezequiel Zaidenwerg por esclarecer algumas passagens e expressões.


--- Ricardo Domeneck

§

POEMAS DE EZEQUIEL ZAIDENWERG



Ezequiel Zaidenwerg lê os poemas "Doxa" e "Lo que el amor les hace a los poetas". Gravado por Ricardo Domeneck em Berlim, novembro de 2010.


Dóxa

Fiquei e me esqueci de que teria que haver ficado,
trabalhando, talvez. E abri os olhos, muito,
fiz uma barraca com os cotovelos e o encontro das mãos.
Pus a cara em cima. Esta película abrasiva,
minha auréola capilar que começa a tremeluzir
entre as palmas, isso
não pode ser minha glória. Não me vanglorio em nada
que avise quando vai manifestar-se;
ou jamais me vangloriei, ou jamais soube com que me vangloriar,
e como. E estes olhos,
a pele do nariz, o caracol dos ouvidos,
o breve copo de água da consciência, isso,
só posso ver quando me olho ao espelho,
ou o veem os outros sem que eu perceba,
ou me percebo nos demais. E está certo que assim seja,
suponho. Onde, então, está minha rocha,
me pergunto, minha força, meu penhasco?
Tem que haver algo em mim que brilhe mais
para além de mim, ou vá brilhar alguma vez, ou
já o tenha, talvez sem me dar conta. E algo me ocorre:
quando era um embrião, quando me fizeram,
a esfera de epitélio que tentava, alheia a mim,
moldar a simples forma que era eu, olhava para fora,
tubo enrolado, e novamente enrolado,
com o estômago e o fígado indistintos, e os ouvidos e a boca:
a mesma superfície, uma só luva,
única flor-esponja pousada sobre o mesmo e único eixo,
fisionomia pura no ar bagunçado do ventre de mamãe.
Devia haver um brilho ali que se perdeu quando a cara já formada
engoliu todo o resto, quando por um pudor que não me foi dado escolher,
– por acaso a criatura protesta ao criador: “por que me fizeste assim?”? –
um resto desta graça ocultou-se nas sucessivas dimensões desdobradas,
aquele aumento surdo de espessura e entidade
que me permitiria ver o mundo como um mundo, em breve.
E agora estou pensando nesta parte que ficou indigesta,
e há algo que me arrasta, uma corrente subcutânea ou algo
quiçá menos solene, ao nome que me deram
para me dar força. Tamparam com um nome
irrepreensivelmente israelita uma metade minha.
O que era que queriam, que eu soubesse
que se quisesse assemelhar-me ao que viria a ser,
teria que ser diferente disso?
Minha graça: um trava-línguas perfeitamente hebreu.
Acaso tratava-se de algo assim como um Scrabble da identidade,
pensavam que dariam mais créditos na vida a seu filho
por tanto z e este q e o w?
Se havia alguma coisa em mim que não era idêntico a si mesmo,
não era melhor, talvez, deixar visíveis as costuras?
Se no fim das contas a matriz que me gerou
jamais ouviu falar quando criança sobre o gueto,
nem teve que saber na própria pele o que é o exílio,
até que, bem, meu pai se exilou
Se além disso foram eles que me criaram,
os da parte árabe, do Líbano, católica, ou católica a seu modo,
que apagaram do meu nome.
Eles também tinham filho no exílio:
talvez ele também estabelecera sua aliança no deserto,
e o carregaram como a Elias. Mas pagou o sangue,
porque era de outro povo. E o sarcoma
cobriu suas costas como um mapa.
Queriam que eu fosse seu Eliseu, que tomasse
os dois terços de seu dom?
Acontecia até que me chamassem por seu apelido, às vezes.
Era demais para mim, um árabe impossível;
para um judeu falso, um circuncizado fraudulento,
que consagrou sua aliança no quirófano
com o deus ciumento da fimose,
(lembro-me como era, um sino túrgido,
um girassol de água ao urinar).
Era demais para mim. Pensei que seria melhor fazer
como uma ferida que quisesse suturar-se por dentro
para deixar a cicatriz coberta e proteger melhor
a pele. Abriu-se de qualquer maneira. Engordei e rachou,
como uma taça de cristal barato. Encheu-se de estrias,
uma retícula fina, fragmentária, sobre o plano vertical
das axilas até os glúteos, mistura do desenho
de uma árvore genealógica desprovida de sua fronde
e o mapa do genoma. A que ou a quem
haveria de culpar, à genética, à frágil epiderme de mamãe,
ou àquela força primígena desencadeada,
esta dispepsia primordial que faria da indigestão
a principal de minhas paixões? A resposta
lutando por cair num apêndice sem saída, disfarçada de um crédulo
ceticismo sem objeto que, mais tarde,
demonstraria ser uma nescidade temerosa, redobrada
sobre sua própria falta: dela esquivava-me ou apenas
a adiava? Não sabia que sabia. E escolhi aferrar-me
à intuição, um pouco frívola e pueril,
de que meu centro geográfico, minha casa, não podiam ser
o fole alveolar e o leque delicado do espírito.
E agora, que fico e que me esqueço, que finquei
minha barraca com os cotovelos e os braços, e a cara submergida
entre as palmas, como um cântaro que cai virado
e se quebra, sem saber, ao lado da fonte,
estou caindo numa idade em que preciso
de um substituto digno para a alma:
para colocar-me em movimento, e lembrar
e lembrar-me. Um sucedâneo digno de um sectário
forçado. E o assento do meu amor,
o capitólio do meu juízo, deve ser, destarte,
este baluarte hepático, a glória empoeirada
dos meus antepassados, os que não voltaram:
o saco ponderal, a pedra oca,
o copo sujo em que se misturaram.

(tradução de Ricardo Domeneck)


:


Doxa (Ezequiel Zaidenwerg): // Me quedé y me olvidé de que tenía que haberme quedado, / trabajando, quizás. Y abrí los ojos, grande, / hice una carpa con los codos y el encuentro de las manos. / Puse la cara encima. Esa película abrasiva, / el halo capilar que empieza a titilarme / entre las palmas, eso / no puede ser mi gloria. No me glorío en nada / que avise cuando va a manifestarse; / o nunca me glorié, o nunca supe en qué gloriarme, / y cómo. Y estos ojos, / la piel de la nariz, el caracol de los oídos, / el breve vaso de agua de la conciencia, eso, / sólo lo puedo ver cuando me miro en el espejo, / o lo ven los demás sin que yo mire, / o me miro en los otros. Y está bien que así sea, / supongo. ¿Adónde está mi roca, / me pregunto, mi fuerza, mi peñasco, entonces? / Tiene que haber alguna cosa en mí que brille más / allá de mí, o vaya a hacerlo alguna vez, o lo haya hecho, / quizás sin darme cuenta yo. Y se me ocurre algo: / cuando era un embrión, cuando me hicieron, / la bola de epitelio que intentaba, ajena a mí, / actuar la simple forma que era yo, miraba toda para afuera, / un tubo dado vuelta, dado vuelta de nuevo, / con el estómago y el hígado indistintos, y los oídos y la boca: / la misma superficie, un guante solo, / única esponja-flor posada sobre el mismo, único, eje, / fisonomía pura en el abigarrado aire del vientre de mamá. / Debía haber un brillo ahí que se perdió cuando la cara ya formada / se tragó todo el resto, cuando por un pudor que no me dieron a elegir/ –¿acaso el artificio le reclama al artífice: “¿por qué me hiciste así?”?– / un resto de esa gracia se ocultó en las sucesivas dimensiones desplegadas, / aquel aumento sordo de espesor y de entidad / que me permitiría ver el mundo como un mundo, luego./ Y ahora estoy pensando en esa parte que quedó indigesta, / y hay algo que me arrastra, una corriente subcutánea o algo / menos solemne acaso, al nombre que me dieron / para darme la fuerza. Taparon con un nombre irreprochablemente israelita una mitad de mí. / ¿Qué era lo que querían, que supiera / que si quería ser más parecido a lo que fuera a ser, / iba a tener que ser distinto de eso? / Mi gracia: un trabalenguas perfectamente hebreo. / ¿Acaso se trataba de algo así como un Scrabble de la identidad, / pensaban que a su hijo le darían más puntos en la vida / por tantas zetas y esa cu y la doble ve? / Si había alguna cosa en mí que no era idéntica a sí misma, / ¿no era mejor, acaso, hacer visibles las costuras? / Si a fin de cuentas la matriz que me engendró / jamás escuchó hablar, de chica, sobre el ghetto, / ni tuvo que saber qué cosa es el exilio en carne propia / hasta que, bueno, se exilió papá. / Si además, fueron ellos los que me criaron, / los de la parte árabe, del Líbano, católica, o católica a su modo, que borraron de mi nombre. / Ellos también tenían a su hijo en el exilio: / acaso también él estableció su alianza en el desierto, / y lo llevaron como a Elías. Pero pagó la sangre, / porque era de otro pueblo. Y el sarcoma / le recubrió la espalda como un mapa. / ¿Querían que yo fuera su Eliseo, que tomara / las dos terceras partes de su gracia? / Hasta les daba, a veces, por llamarme con su mismo apodo. / Fue demasiado para mí, un árabe imposible; / para un judío errado, un circunciso fraudulento, / que consagró su alianza en el quirófano / con el celoso dios de la fimosis / (me acuerdo lo que era, una campana henchida, / un girasol de agua si orinaba). / Fue demasiado para mí. Pensé que era mejor hacer / como con una herida que quisiera suturarse desde adentro / para dejar la cicatriz cubierta y proteger mejor / la piel. Se me rompió de todos modos. Engordé y se me rajó, / como una copa de cristal muy burdo. Se llenó de estrías, / una retícula delgada, discontinua, sobre el plano vertical / de las axilas a las nalgas, mezcla del diseño / de un árbol genealógico desnudo de su fronda / y el mapa del genoma. ¿A qué o a quién había que culpar, a la genética, a la frágil epidermis de mamá, / o a aquella fuerza primigenia desatada, / esa dispepsia primordial que haría de la indigestión / la principal de mis pasiones? La respuesta / pugnaba por caer en saco ciego, disfrazada de un confiado escepticismo sin objeto que, después, / demostraría ser una nesciencia temerosa, replegada / sobre su propia falta: ¿la eludía o solamente / la estaba difiriendo? No sabía que sabía. Y elegí aferrarme / a la intuición, un poco frívola y pueril, / de que mi centro geográfico, mi casa, no podían ser / el fuelle alveolar y el abanico delicado del espíritu. / Y ahora, que me quedo y que me olvido, que clavé / mi tienda con los codos y los brazos, y la cara sumergida / entre las palmas, como un cántaro que cae dado vuelta / y que se quiebra, sin saberlo, al lado de la fuente, / estoy cayendo en una edad en la que necesito / un sustituto digno para el alma: / para ponerme en marcha, y recordar / y recordarme. Un sucedáneo digno de un prosélito / forzoso. Y el asiento de mi amor, / la sede de mi juicio, debe ser, por ende, / ese baluarte hepático, la gloria polvorienta / de mis antepasados, los que no volvieron: / el saco ponderal, la piedra hueca, / la copa sucia en la que se mezclaron.

§

O que o amor causa nos poetas

não é trágico: é atroz. Uma ruína
fúnebre cai sobre os poetas que o amor captura,
sem que orientação ou identidade poética
interessem. O amor leva ao desastre completo
da uniformidade os poetas gays,
os poetas panssexuais e bissextos,
as poetas e poetisas feministas, fementidas ou honestas;
os obcecados pelo gênero e
os degenerados em geral e os polimorfos perversos:
e até os fetichistas dos pés
de verso cedem sob as plantas do amor,
que não distingue ideologia,
programa ou poética. Aos vates da torre de marfim,
lança-os do penthouse ebúrneo para o térreo. Aos apóstolos
do Zeitgeist, que proclamam sem inibição que a lírica está morta,
permite que insistam em seu equívoco
e em suas bachareladas prolixas. Produz uma hemorragia palatal
nos que arqueiam parcos aforismos oblíquos,
como nos herméticos de latão, nos que engarrafam
seus versos para o vazio, nos falsários do silêncio,
e nos que forjam haikais lusófonos
à moda itálica. Nos puristas da voz corta em seco
os lamúrios doces, e quebra as falanges
dos maníacos do ritmo, estraga
o metrônomo íntimo que carregam junto ao coração
para marcar a batida de seus versos. Domestica o sensorial
nos videntes e malditos e demais
rebeldes e insurretos sem razão
ou causa poética, cura o desregramento racional
de todos os sentidos. Desaloja de sua noite escura
os que pedem luz para o poema
nas cavernas do sentido, e os devolve sem escala
para o tresnoitar da carne literal. O que o amor
causa nos poetas, com paciência e mansidão,
enquanto as borboletas lentamente ulceram seus estômagos
e pouco a pouco o pâncreas deixa de funcionar,
é bastante inconveniente. Aos que buscam com afinco
e precisão cirúrgica a palavra justa, arruína
seus pulsos, e em vez de doar vida, aniquilam-na em sua ânsia.
E nos que perseguem com ardor e devoção
um absoluto no poema, como um graal
todo de luz, tesa, diáfana e febril,
nubla suas certezas e mesmo o desejo
de saciar sua ansiedade. O que o amor
causa nos poetas, desavisadamente,
enquanto costuram e cantam e se empanturram de perdizes, é agudo, terminal
e fulminante. É um torrencial avassalador
de prosa, que esporeia e multiplica, em progressão exponencial,
os estúpidos e toscos da poesia:
os que cortam sem motivo seus versos diminutos;
os jóqueis compulsivos que os encavalam;
os designers tipográficos do verso;
os que partem a sintaxe sem saber torcê-la;
os que fazem escavações no
éter em busca de inauditos neologismos inaudíveis;
os modernos sem pretexto; os que creem descobrir
a pólvora em seus versos balbuciantes;
os contestatários automáticos e os poetas-pornô;
os que semeiam grandes nomes pela densa
fronde de seus poemas, como Joãozinho e Maria jogavam
migalhas; os que erguem em sua voz
ausente as caretas de uma infância lobotomizada;
os poetas bonitos e felizes, teimosos;
as tribos urbanas e os groupies da poesia adolescente;
os poetas pop e os rock stars do verso; os videopoetas e performers;
os ovni-poetas, alados ou rastejantes, identificados;
os objetivistas sem objeto
nem vista; os que exigem que o poema
vista-se de mendigo; os poetas filósofos;
e os cultores convictos
da “prosa poética”. O amor,
que movimenta o sol e os demais poetas,
leva-os até o derradeiro paroxismo: transforma-os
em terra, em fumaça, em sombra, em pó, etcétera:
em pó enamorado. E se acontece
ainda que dentre eles
amem-se amorosos os poetas pares,
felizes em seu amor solar sem escansão,
como se fossem na verdade, um para o outro,
um buraco negro de opiniões nebulosas,
palmadinhas tácitas nas costas e comentários de passagem,
anões, esfriando-se, absorvem-se mutuamente
e desaparecem.

(tradução de Ricardo Domeneck)


:


Lo que el amor les hace a los poetas (Ezequiel Zaidenwerg): // no es trágico: es atroz. Les sobreviene / una luctuosa ruina a los poetas que el amor captura, / sin importar su orientación o identidad / poética. El amor lleva al total desastre / de la uniformidad a los poetas gay, / a los poetas pansexuales y bisiestos, / y a las poetas y poetrices feministas, fementidas o veraces; / a los obsesionados con el género / y a los degenerados por igual, y a los perversos polimorfos: / y hasta los fetichistas de los pies / del verso capitulan a las plantas del amor, / que no distingue ideología, / programa ni poética. A los vates de la torre de marfil / los precipita del penthouse ebúrneo directo a planta baja. A los apóstoles / del Zeitgeist, que proclaman sin empacho que la lírica está muerta, / les permite insistir en el error / y en sus prolijas parrafadas. Les produce una hemorragia palatal / a los que comban parcos aforismos diagonales, / a los herméticos de lata, a los que envasan / sus versos al vacío, a los falsarios del silencio, / y a los que fraguan haikus castellanos / al itálico modo. A los puristas de la voz les corta en seco / su dulce lamentar, y a los maniáticos del ritmo / les quiebra las falanges, y estropea / el íntimo metrónomo que llevan junto al corazón / para marcar el paso de sus versos. Les compone el sensorio / a los videntes y malditos y demás / rebeldes e insurrectos sin razón ni causa / poética, y les cura el desarreglo razonado / de todos los sentidos. Desaloja de su noche oscura / a los que piden luz para el poema / en las cavernas del sentido, y los devuelve sin escalas / a la trasnoche de la carne literal. Lo que el amor / les hace a los poetas, con paciencia y mansedumbre, / mientras las mariposas lentamente les ulceran el estómago / y el páncreas poco a poco deja de funcionar, / es harto inconveniente. A los que buscan con ahínco / y precisión de cirujano la palabra justa les arruina / el pulso, y en lugar de dar la vida, la aniquilan en su afán. / Y a los que con ardor y devoción persiguen / un absoluto en el poema, como un grial / todo de luz, tirante, diáfana y febril, / les nubla las certezas, y el deseo mismo / de saciar su ansiedad. Lo que el amor / les hace a los poetas, inadvertidamente, / mientras cosen y cantan y se atoran de perdices, es agudo, terminal / y fulminante. Es un torrente arrollador / de prosa, que espolea y multiplica, en progresión exponencial, / a los zopencos y palurdos de la poesía: / a los que cortan sin razón sus versos diminutos; / a los jinetes compulsivos; / a los diseñadores tipográficos del verso; / a los que quiebran la sintaxis sin saber / torcerla; a los que escarban en el / éter a la busca de inauditos neologismos inaudibles; / a los modernos sin pretexto; a los que creen descubrir / la pólvora en sus versos balbucientes; / a los contestatarios automáticos y a los porno-poetas; / a los que sueltan grandes nombres por la densa / fronda de sus poemas, como Hansel y Gretel arrojaban / migas; a los que impostan en su voz / vacante los mohines de una infancia lobotomizada; / a los poetas bellos y felices, caprichosos; / a las tribus urbanas y los groupies de la poesía pubescente; / a los poetas pop y los rockstars del verso; a los videopoetas y performers; / a los ovni-poetas, voladores o rastreros, identificados; / a los objetivistas sin objeto / ni vista; a los que exigen que el poema / se vista de mendigo; a los filósofos poetas; / y a los cultores convencidos / de la “prosa poética”. El amor, / que mueve el sol y a los demás poetas, / los lleva hasta el postrero paroxismo: los convierte / en tierra, en humo, en sombra, en polvo, etcétera: / en polvo enamorado. / Y si resulta todavía que entre ellos / se aman amorosos los poetas pares, / felices en su amor solar sin escansión, / como si fueran en verdad el uno para el otro / un agujero negro de opiniones nebulosas, / tácitas palmaditas en la espalda y comentarios al pasar, / enanos, enfriándose, se absorben entre sí / y desaparecen.


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