Domingo, 20 de Novembro de 2011

“Cantiga de caminho”, poema de Ricardo Aleixo musicado por Chico Lobo



Apresentamos abaixo a "Cantiga de caminho", poema de Ricardo Aleixo musicado por Chico Lobo, lançado em seu álbum Caipira do mundo (2011). Voz e viola de Chico Lobo, participação especial da cantora Virgínia Rosa. No violoncelo, Lui Coimbra, e nas percussões, Guilherme Kastrup.



Ricardo Aleixo apresentou “Cantiga de caminho” como uma das modalidades do vissungo, ou, em suas palavras, "gênero da grande música das `Áfricas espalhadas´, termo cunhado pela pesquisadora estadunidense Sheila Walker, estudado pioneiramente por Aires da Mata Machado, no livro O negro e o garimpo em Minas Gerais (1ª edição, Ed. José Olympio, 1943)".

Aleixo diz ainda: "é o título que dei ao cantopoema que escrevi depois de ler uma entrevista da cantante Virgínia Rosa na qual ela contava ser filha de pais mineiros. Isso foi há coisa de 4 anos. Pouco tempo depois o violeiro e compositor Chico Lobo me propôs parceria, para um cd em que contaria, também, com a colaboração de poetas como Arnaldo Antunes, Sérgio Natureza e Alice Ruiz, entre outros. Gostei imenso do resultado da gravação, que contou com a bela Virgínia esmerilhando nos vocais, e ainda teve as magistrais participações de Lui Coimbra no violoncelo e Guilherme Kastrup nas percussões. Em homenagem ao DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, compartilho com vocês a beleza de registro do meu novo parceiro, acompanhada do cantopoema e da sugestão de que procurem as melhores casas do ramo para adquirir o forte, intenso, essencial cd Caipira do mundo. Na foto, a Diretoria: Américo e Íris, os primeiros seres humanos que conheci - que eles eram negros só fui descobrir muito mais tarde." --- Ricardo Aleixo


Íris e Américo Aleixo.


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POEMA DE RICARDO ALEIXO

Cantiga de caminho
Ricardo Aleixo

sou filho de mãe mineira
meu pai é de minas gerais
sei rezar latim pro nobis
sou primo do preto brás
sou primo do preto brás

sou filho de pai mineiro
mamãe é de minas gerais
vou vivendo como vivo
faço o que ninguém mais faz
faço o que ninguém mais faz

desde menino eu misturo
o antes, o agora, o depois
sei somar zero com zero
e ainda divido por dois

desde menino eu misturo
o antes, o agora, o depois
sempre que posso eu passo
o carro à frente dos bois

sou filho de pai mineiro
mamãe é de minas gerais
sou rosa e pedra no caminho
sou capaz de guerra e paz
sou capaz de guerra e paz

sou filho de mãe mineira
meu pai é de minas gerais
dou volta e meia no mundo
e o mundo não acaba mais
e o mundo não acaba mais


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Para encerrar esta postagem, convidamos nossos leitores a revisitar a página da Modo de Usar & Co. dedicada, em outubro de 2008, ao trabalho poético de Ricardo Aleixo:




--- Ricardo Domeneck


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