War requiem (1989), que pode ser visto na íntegra no vídeo acima, é um filme de Derek Jarman (1942 – 1994) criado para a peça War Requiem, Op. 66, de Benjamin Britten (1913 — 1976), um réquiem não-litúrgico composto em 1962, com a justaposição de textos tradicionais latins e poemas de Wilfred Owen (1893 – 1918), um dos poetas que o modernismo internacional perdeu na Grande Guerra (1914 - 1918), dos dois lados da trincheira, como ainda Rupert Brooke (1887 – 1915) e Isaac Rosenberg (1890 – 1918) ou August Stramm (1874 – 1915), sem mencionar as mortes de Georg Trakl (1887 - 1914) e Guillaume Apollinaire (1880 – 1918), precipitadas ou diretamente causadas pela Guerra.
Escrevi sobre alguns destes poetas no artigo "Guerras Mundiais, utopia e distopia nas vanguardas, poesia e historicidade, função poética e referencial e outras obsessões", em meu espaço pessoal.
O filme de Jarman poderia ser chamado de poema visual, como em outros casos em que o diretor trabalhou com textos poéticos e o fluxo de imagens. O cinema-cachoeira de que falava Humberto Mauro. O maior exemplo é The Angelic Conversation (1985), com música do grupo Coil e as vocalizações de Judi Dench dos sonetos de William Shakespeare (1564 - 1616).
Anthem for Doomed Youth
Wilfred Owen
What passing-bells for these who die as cattle?
Only the monstrous anger of the guns.
Only the stuttering rifles' rapid rattle
Can patter out their hasty orisons.
No mockeries now for them; no prayers nor bells;
Nor any voice of mourning save the choirs,
The shrill, demented choirs of wailing shells;
And bugles calling for them from sad shires.
What candles may be held to speed them all?
Not in the hands of boys, but in their eyes
Shall shine the holy glimmers of good-byes.
The pallor of girls' brows shall be their pall;
Their flowers the tenderness of patient minds,
And each slow dusk a drawing-down of blinds.
Trabalharei em algumas traduções para poemas de Wilfred Owen nos próximos dias. Até lá, recomendo o filme a unir estes três artistas britânicos, Owen a Britten e estes a Jarman. O elenco do filme traz Laurence Olivier em seu último papel, além do belo Nathaniel Parker como Wilfred Owen e a incrível Tilda Swinton como "a enfermeira".
--- Ricardo Domeneck
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