
Meu texto de apresentação para uma pequena seleção de poemas do português Ruy Belo, infelizmente, acabou por ofender algumas sensibilidades, motivo pelo qual gostaria de elaborar três pontos que parecem ter sido foco de incompreensão, certamente por culpa de meu tom invariavelmente enfático de pessoa entusiasmada.
Ao afirmar que "no Brasil, o poeta é praticamente desconhecido, publicado apenas esparsamente", não pretendia qualquer injustiça aos que estão, com afinco, generosidade e certamente brilhantismo, estudando a obra do português dentro de universidades brasileiras, têm-se dedicado a teses sobre seus poemas, ou discutido seu trabalho em artigos de revistas ou livros acadêmicos. No caso, eu me referia especificamente ao fato dos livros de Ruy Belo não estarem ainda devidamente editados no Brasil, ao fato de que os leitores de poesia, para quem este espaço é primordialmente mantido, não têm acesso fácil a seu trabalho. Imagino que muitos poetas brasileiros conheçam bem o trabalho de Ruy Belo, e que pessoas dedicadas à poesia contemporânea em língua portuguesa têm-se ocupado do estudo de sua obra, mas acredito que isso não torna uma inverdade aquele início de parágrafo. De qualquer maneira, aos estudiosos da obra de Ruy Belo no Brasil eu apresento minhas desculpas se o parágrafo implica uma negligência ao reconhecimento de seus esforços. Fui informado que a Editora 7Letras publicará no ano que vem cada uma das coletâneas individuais de Ruy Belo. É notícia belíssima, mas, tratando-se de acontecimento editorial que ainda não veio a lume, não pôde ainda mudar o quadro que estava a expor. Quando os volumes começarem a ser publicados, pretendo estar entre os primeiros a saudá-los e festejar os responsáveis.
Outro ponto: ao mencionar apenas o dossiê preparado pela revista Inimigo Rumor em seu número 15, chamei-o de "um esforço recente de divulgação", sem qualquer intenção (crendo que isto estaria claro com o uso do artigo indefinido que inicia a oração) de insinuar que aquele fora o primeiro, o único ou o mais importante. Mencionei-o por ser o que conhecia melhor, e por ser uma revista de boa circulação e distribuição, podendo atingir leitores em várias partes do país. Seu impacto acaba sendo maior que o de acontecimentos dentro da academia e universidade, ainda que pela simples mas incontornável questão da distribuição do conhecimento em um país de proporções continentais. Outros esforços, ainda mais recentes, existem para a inserção da obra de Ruy Belo no debate contemporâneo da poesia brasileira, como o último livro de Manoel Ricardo de Lima, Fazer lugar [a poesia de Ruy Belo], o primeiro dedicado ao autor no País.
Quanto à passagem em que escrevo que "Com esta pequena postagem, a Modo de Usar & Co. tenta fazer sua contribuição para que o trabalho de Ruy Belo se insira com mais força no debate poético brasileiro", ela passa a ser doravante excluída do texto principal, já que o adjetivo "pequena", o verbo "tentar" e o substantivo "contribuição" não cumpriram a função que eu deles esperava.
A quem encontrou apenas motivo de alegria na postagem com poemas de Ruy Belo, minhas desculpas pela necessidade desta nota.
--- Ricardo Domeneck
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