Domingo, 17 de Julho de 2011

Benjamin Péret (1899 - 1959)



Benjamin Péret foi um poeta francês, nascido na cidade de Rezé em 1899. Começou a interessar-se por poesia ao descobrir o trabalho de Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) na revista SIC, editada por Pierre Albert-Birot (1876 - 1967). Tal como outros jovens poetas franceses de sua idade, como André Breton, Philippe Soupault e Robert Desnos, interessou-se pelo movimento dadaísta e recebeu Tristan Tzara em Paris no início da década de 20, estreando com o volume de poemas Le Passager du transatlantique (1921). Em 1924, rompeu com Tzara e fundou ao lado de seus companheiros franceses o Movimento Surrealista, publicando em seguida, em colaboração com Paul Éluard (1895 - 1952), o volume 152 Proverbes mis au goût du jour (1925). Entre 1924 e 1929 coeditou com Pierre Naville a revista La Révolution surréaliste, na qual publicaram autores como Antonin Artaud, Paul Éluard e outros luminares do surrealismo, assim como os primeiros exemplos do que ficaria conhecido como cadavre exquis - seus poemas colaborativos, ou o roteiro completo de Un Chien Andalou, de Luis Buñuel (1900 - 1983).

Benjamin Péret publicou cerca de 20 de livros, entre eles Le Grand Jeu (1928), Ne visitez pas l'exposition coloniale (1931), De derrière les fagots (1934), Je ne mange pas de ce pain-là (1936), Dernier malheur dernière chance (1945), Les syndicats contre la révolution (1952), Le Livre de Chilam Balam de Chumayel (1955) e Anthologie de l’amour sublime (1956).

Foi casado com a cantora brasileira Elsie Houston (1902-1943) e foi amigo do crítico de arte Mario Pedrosa (1900 - 1981). Viveu no Brasil entre 1928 e 1931, quando foi expulso do País pelo Governo de Getúlio Vargas, sob acusação de ser um agente comunista. Viveu na Espanha durante a Guerra Civil e durante alguns anos no México. Morreu em Paris, a 18 de setembro de 1959.


--- Modo de Usar & Co.


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POEMA DE BENJAMIN PÉRET


Os mortos e suas crianças

a Denise Kahn

Se eu fosse alguma coisa
não alguém
diria aos filhos de Édouard
providenciem
e se eles não providenciassem
eu iria para a floresta dos reis magos
sem galochas e sem ceroulas
como um eremita
e haveria certamente um grande animal
sem dentes
com plumas
e redondo como um vitelo
que viria uma noite devorar minhas orelhas
Então deus me diria
você é um santo entre os santos
pegue este automóvel
O automóvel seria sensacional
oito cilindros e dois motores
e no centro uma bananeira
que camuflaria Adão e Eva
fazendo

mas isso será objeto de outro poema


(tradução de Laura Erber)


:


Les morts e ses enfants
Benjamin Péret

a Denise Kahn.

Si j’étais quelque chose
non quelqu’un
je dirai aux enfants d’Édouard
fournissez
et s’il ne fournissaient pas
je m’en irais dans la jungle des róis mages
sans bottes et sans caleçon
comme un ermite
et il y aurait sûrement un grand animal
sans dents
avec des plumes et tondu comme un veau
qui viendrait une nuit dévorer mês orreilles
Alors dieu me dirait
tu es un saint parmi les saints
tiens voici une automobile
L’automobile serait sensationnelle
huit roues deux moteurs
et au millieu un bananier
qui masquerait Adam et Ève
faisant


mais ceci fera l’objet d;un autre poème.



(extraído do volume Le Grand Jeu, 1928)



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1 comentários:

Coletivo Paradoxo disse...

Benjamin Péret é um poeta surpreendente. Reveste de um humor tão singular sua visão de mundo mais íntima e transcedental. Pena ser tão pouco traduzido por estas plagas, e sempre quando vislumbro uma nova descoberta, fico encantado, como essa a de vocês.

Faço parte de um grupo que se chama Poenocine e que fez duas postagens sobre o autor francês: http://poenocine.blogspot.com/2010/06/dois-poemas-de-benjamin-peret-allo-alo.html;
http://poenocine.blogspot.com/2010/07/mais-dois-poemas-de-benjamin-peret-para.html.

Aquele abraço no pessoal do "modo de usar & co." com suas eternas novidades poéticas trazidas aqui, especialmente em Fabiano Calixto, meu querido Calix Bento,

Paulo Sposati Ortiz.