
Idea Vilariño nasceu em Montevidéu, no Uruguai, em 1920. Publicou o primeiro livro em 1945, intitulado La suplicante. Foi uma das fundadoras da revista Clinamen, sendo geralmente associada ao grupo de poetas e escritores ativos a partir do final imediato da Segunda Guerra, como Juan Carlos Onetti, Mario Benedetti, Ángel Rama, Amanda Berenguer e Emir Rodríguez Monegal, entre outros. Seus livros incluem Cielo Cielo (1947), Por aire sucio (1950), Nocturnos (1955), a coletânea Poemas de amor (1957), um dos mais populares livros de poesia no Uruguai, Pobre Mundo (1966) e No (1980). Escreveu ainda ensaios sobre poetas como Antonio Machado ou Herrera y Reissig. Alguns de seus poemas viriam a se transformar em canções muito conhecidas em seu país, como "A una paloma" e "Ya me voy pa la guerrilla". Idea Vilariño morreu na semana passada, na cidade em que nasceu.
TRÊS POEMAS DE IDEA VILARIÑO
em tradução de Angélica Freitas e originais em castelhano
Dizer não
Dizer não
dizer não
atar-me ao mastro
mas
desejando que o vento o vire
que a sereia suba e com os dentes
corte as cordas e me arraste ao fundo
dizendo não não não
mas a seguindo.
§
Decir no
Decir no
decir no
atarme al mástil
pero
deseando que el viento lo voltee
que la sirena suba y con los dientes
corte las cuerdas y me arrastre al fondo
diciendo no no no
pero siguiéndola.
Escrevo, penso, leio
Escrevo
penso
leio
traduzo vinte páginas
ouço o noticiário
escrevo
escrevo
leio.
Onde estás
onde estás.
§
Escribo, pienso, leo
Escribo
pienso
leo
traduzco veinte páginas
oigo el informativo
escribo
escribo
leo.
Dónde estás
dónde estás.
§§§
Já não tenho
Já não tenho
já não quero
mais ter perguntas.
Já não tenho
já não quero
ter mais respostas.
Teria que me sentar num banquinho
e esperar que termine.
§
Ya no tengo
Ya no tengo
no quiero tener
ya más preguntas.
Ya no tengo
no quiero
tener ya más respuestas.
Tendría que sentarme en un banquito
y esperar que termine.
§§§
--- postagem preparada por Angélica Freitas
5 comentários:
tomo a liberdade de um sugestão: Josep Vicenç Foix. não sei se lhes interessa. se sim, será quem podem recuperá-lo para nós? eu mesmo já o procurei (e continuo a fazê-lo), mas quase nada consegui.
parabéns pelo trabalho de vocês.
Caro Virgílio,
realmente, J.V. Foix é uma bela sugestão, mas não é tão simples traduzi-lo do catalão. Eu arrisquei uma tradução do seu conterrâneo Gabriel Ferrater, mas não sei se me atreveria a "tentar a mão" em Foix. Manterei a idéia em mente, talvez possamos encontrar um tradutor de Foix para o Brasil. Se não me engano, foi publicada há pouco tempo no Brasil uma série de antologias das Poesias da Espanha. Dê uma olhada.
Abraço,
Domeneck
Descobrir esse blog ta sendo uma das melhores descobertas desse ano pra mim! Parabéns!!!!
Muito bom poder ler/ouvir isso.
Abraço dos editores
Freitas/Calixto/Garcia/Domeneck
e colaboradores.
Nossa! Cheguei a Vcs a través de um comentário no meu blog, estou feliz. obrigada!
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