sexta-feira, 27 de Março de 2009

Luis Felipe Fabre

Luis Felipe Fabre nasceu na Cidade do México, em 1974. Publicou as coletâneas de poemas Vida quieta (2000) e Una temporada en el Mictlán (2003). Em 2005, lançou a reunião de ensaios Leyendo agujeros. Com epígrafe de Décio Pignatari, o pequeno volume discute trabalhos de poetas como Néstor Perlongher, Ramón López Velarde, Ulises Carrión, Nicanor Parra, assim como o romance Los Detectives Salvajes, de Roberto Bolaño. Seu último livro chama-se Cabaret Provenza (Cidade do México: Fondo de Cultura Económica, 2007), do qual foram extraídos os poemas abaixo.


POEMAS DE LUIS FELIPE FABRE


Sumi-e

Uma pedra sobre outra pedra: assim começa
uma montanha.

Uma montanha:
vulto imenso de silêncio. Uma pedra:
pequeno vulto de silêncio. Imenso e pequeno:
um bonsai.

Um monge nos olhos puxados de outro monge: budistas!

Uma montanha
ou duas ou três ou quatro que já se tornam cordilheira.

§

Sumi-e

Una piedra sobre otra piedra: así comienza
un montaña.

Una montaña:
inmenso bulto de silencio. Una piedra:
pequeño bulto de silencio. Inmenso y pequeño:
un bonsái.

Un monje en los ojos rasgados de otro monje: budistas!

Una montaña
o dos o tres o cuatro que ya van siendo cordillera.



§§§

Sutra da vaca

Uma vaca:
branca e negra. Ruminando pastagem: verde.
E acima o céu

e no céu
uma nuvem cor de nuvem e detrás da nuvem

outra vez o céu: azul celeste: a cor
do divino Vishnu presenteando uma flor-de-lótus.

Azul: a pele do divino Vishnu.
Celeste: a ação de presentear uma flor-de-lótus.

Outra flor-de-lótus: branco
deixando de ser branco: branca
nuvem dissipada: meditação.

E a vaca
ruminando flores-de-lótus a sagradíssima:
ioga, desioga, reioga.

§

Sutra de la vaca

Una vaca:
blanca y negra. Rumiando pasto: verde.
Y encima el cielo

y en el cielo
una nube color de nube y tras la nube

otra vez el cielo: azul celeste: el color
del divino Vishnú obsequiando un loto.

Azul: la piel de divino Vishnú.
CelesteL la acción de obsequiar un loto.

Otro loto: blanco
dejando de ser blanco: blanca
nube disipada: meditación.

Y la vaca
rumiando lotos la muy sagrada:
yoga, desyoga, reyoga.


§§§

Mandala

Pedras ensimesmadas como pedras:

dizem isso os que dizem
tê-las visto. E os que viram

Jesus caminhar sobre as águas dizem que Jesus

caminhou sobre as águas. Mas
que certeiras são as pedras ao afundarem.

§

Mandala

Piedras ensimismadas como piedras:

eso dicen los que dicen
haberlas visto. Y los que vieron

a Jesús caminar sobre el agua dicen que Jesús

caminó sobre el agua. Pero
qué certeras son las piedras al hundirse.


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Originais em castelhano de Luis Felipe Fabre.
Traduções para o português de Ricardo Domeneck.

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POEMAS ORALIZADOS


(Luis Felipe Fabre no III Encuentro Latinoamericano de Poesía Actual Poquita Fe, em 2008)

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(Luis Felipe Fabre em Tlaxcala, México, 2004)

2 comentários:

Luiz Coelho disse...

Um primor. Fico grato por dividir a leitura deste autor, que se tornou para mim uma agradável surpresa. Aliás, nesse sentido a revista tem me ajudado: a conhecer "novos" autores.

Heitor Ferraz Mello disse...

Este livro tem na livraria Asteca, na rua Bartira, em Perdizes. Está bem baratinho. Inclsuive há vários outros livros de autores mexicanos com 50% de desconto. Abs. Heitor