quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Max Martins (1926 - 2009)

Max Martins nasceu em Belém do Pará, em 1926. Após os estudos de Literatura, passou a colaborar em revistas e suplementos, como a revista literária Encontro, publicando os primeiros poemas no Suplemento Literário da Folha do Norte em 1946 e 1951. Estreou com o livro O Estranho (1952), seguido, entre outros, pelos livros Anti-Retrato (1960), O Ovo Filosófico (1976), O Risco Subscrito (1980), 60/35 (1985), e reunindo seu trabalho no volume Não para Consolar - poesia completa (1992).

Suas edições foram sempre muito pouco divulgadas em outras partes do país, ainda que fosse um dos poetas mais conhecidos em seu estado natal. A recuperação recente de poetas como Hilda Hilst e Roberto Piva preparava o terreno para a maior aceitação do trabalho de poetas como Martins, mas a maior divulgação jamais veio às suas paragens. Talvez seja mais uma vez o momento de questionarmos a influência geográfica sobre o tal de cânone, que alguns ainda acreditam ser incondicionado.

Foi traduzido e publicado em outros países, ainda que tenha seguido como "estranho no ninho" na historiografia literária nacional; na Alemanha, por exemplo, seus textos foram publicados no volume Der Ort Wohin, com prefácio de Benedito Nunes e tradução de Burkhard Sieber.

Max Martins faleceu ontem em Belém do Pará.


POEMA DE MAX MARTINS


Isto por aquilo


Impossível não te ofertar:
O rancor da idade na carga do poema
O rancor do motor numa garrafa

...........................................Ou isto

(por aquilo
que vibrava
dentro do peito)........o coração na boca
......................atrás do vidro........a cavidade
......................o cavo amor roendo
......................o seu motor-rancor
......................................................– ruídos

(do livro 60/35, Belém, 1985)

Max Martins (1926 - 2009)

§

Mais poemas de Max Martins AAQQUUII.

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