terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Yanko González

Yanko González nasceu em 1971, em Buin, no Chile. Professor na Universidade Austral de Chile, é antropólogo, editor e tradutor, entre outros, de Charles Bukowski. Estreou em 1998 com o livro Metales Pesados, publicando no ano seguinte o volume Héroes Civiles & Santos Laicos. Palabra y periferia: trece entrevistas a escritores del sur de Chile. Participou de festivais de poesia sul-americanos e europeus, como os de Buenos Aires e Berlim. Publicou este ano a coletânea Alto Volta (Valdivia: Ediciones Kultrún, 2008), da qual apresentamos 4 poemas, seguidos por um vídeo da leitura de Yanko González no III Encuentro Latinoamericano de Poesía Actual Poquita Fe.

§§§

POEMAS DE YANKO GONZÁLEZ
traduzidos por Ricardo Domeneck

Clube

Fui à casa de Morgan e lhe disse :
me dê este meu retrato que você tem na cabeça.
Não se aborreça – me disse –
aqui está.
Abriu a testa e me entregou.
Depois fui à casa de Taylor:
Edward este meu retrato em sua cabeça
devolva-o.
Você enlouqueceu – disse –
Me irritei dei-lhe uma paulada
abri seu crânio e tirei meu retrato.

Boas escutou o grito veio correndo:
Mas meu filho o que você fez
Caiu outra vítima
Abri-o e tirei meu retrato

Mead veio visitar-me
Maggie dê-me este meu retrato que você tem na cabeça
Abriu o próprio crânio e o entregou.
Procurei por Ruth e mudo
rachei seu crânio com um ferro
tirei minha fotografia blasfemando
Com o crânio aberto
Como deixei aberta a porta de sua casa

(Passei por Evans
Com seu próprio rifle descobri seus miolos surrupiando minha imagem)

Voltei e estavam todos almoçando

Claude L.-S. e o Polonês
Levantaram-se e sem ao menos cumprimentar-me
abriram ambos crânios e me deram o retrato
fazendo uma mesura.

Parti em busca de todos os meus “amigos”

A notícia havia se espalhado e não tive qualquer inconveniente
Cumprimentavam-me educadamente
Enquanto com a outra mão me entregavam meu retrato
Eu dizia ao mesmo tempo “obrigado”
E fechava seus crânios com polidez.

Ao sétimo dia fui a Lugar Nenhum
Com meu bolso de couro e lã cheio de fotografias
Estiquei-me como pude
E as coloquei sobre uma nuvem que passava e ateei-lhes fogo

Voltei a toda velocidade
Procurei um por um

Mas lá estavam todos

Com esse outro retrato meu na cabeça

§

gremio

Fui donde Morgan y le dije:
dame este retrato mío que tienes en la cabeza.
No te enojes -me dijo-
ya te lo doy.
Se abrió la testa y me lo dio.
Después fui donde Taylor :
Edward ese retrato mío que tienes en la cabeza
dámelo
Estás enfermo –dijo-
Me impacienté le di un palo
le abrí el cráneo y saqué mi retrato.

Boas escuchó el grito y vino corriendo:
pero hijo mío ¿qué has hecho?
Cayó otra víctima
Se lo abrí y saqué mi retrato.

Me visitó la Mead:
Maggie dame ese retrato mío que tienes en la cabeza.
Se abrió el cráneo y me lo dio.
Busqué a Ruth y mudo
le partí el cráneo con un fierro
le saqué mi fotografía blasfemando
Con el cráneo abierto
Como abierta le dejé la puerta de su casa.

(Se me cruzó Evans
Con su mismo rifle le destapé los sesos usurpándole mi imagen)

Volví y estaban todos almorzando

Claude L. S. y el Polaco
Se levantaron y sin siquiera saludarme
se abrieron sendos cráneos y me dieron el retrato
haciéndome una venia.
Partí a donde todos mis “amigos”.

Se había corrido la voz y no tuve ningún inconveniente
Me saludaban amablemente
Mientras con la otra mano me daban mi retrato
Yo les decía al mismo tiempo "gracias"
Y les cerraba su cráneo con deferencia.

Al séptimo día me fui a Ninguna Parte
Con mi bolso de cuero y lana repleto de fotografías
Me empiné como pude
Y las puse sobre una nube que pasaba y les prendí fuego.

Volví de una carrera
Los busqué uno por uno

Pero allí estaban todos

Con ese otro retrato mío en la cabeza.


§§§

exemplo

Querem que eu vá embora como se eu não quisesse ir
Então lhes digo já vou
Mas ao primeiro
ou quinto passo
Correm em meu rastro
para que eu desamarrote seu oxigênio
abra uma vala
Onde hão de cruzar seus ternos

Ontem foi o mesmo
Entendi claramente
querem que eu vá embora
Isso é o que diziam enquanto cuidava de seus filhos

Eu jogava o que em Alto Volta se jogava
Exemplo
A cadeira se chama lavatório a porta sardinha
A mesa pratos e os sapatos cadira
Então as crianças gritavam
Amarelo
Abra a sardinha

Era um jogo e disseram-me que fosse embora
Que eu tinha que lhes ensinar as palavras
Como se deviam

Exemplo
abrir a boca
se diz
rir

§

ejemplo

Quieren que me vaya como si yo no quisiera irme
Entonces les digo me voy
Pero al primer
o quinto paso
Corren a buscarme
para que les planche el aire
Les abra una zanja
donde han de cruzar sus trajes.

Ayer fue lo mismo
Entendí claramente
quieren que me vaya
Eso es lo que se decían mientras cuidaba de sus niños

Yo jugaba a lo que en Alto Volta se jugaba
Ejemplo
La silla se llama lavabo la puerta sardina
La mesa vajilla y los zapatos cadira
Entonces los niños gritaban
Amarillo
Ábrenos la sardina.

Era un juego y dijeron que me fuera
Que tenía que enseñarles las palabras
Como se debían

Ejemplo
abrir la boca
se dice
reír.

§§§


que não quer

“Que
não
quer
morrer
como
um
cão
ninguém
quer
morrer
como
um
cão
todo
ser
humano
merece
não
morrer
como
um
cão
viveu
como
leitão
e
não
quer
morrer
como
um
cão”.

§

que no quiere

“Que
no
quiere
morir
como
un
perro
nadie
quiere
morir
como
un
perro
todo
ser
humano
merece
no
morir
como
un
perro
ha
vivido
como
cerdo
y
no
quiere
morir
como
un
perro”

§§§

Salvo-conduto

Não,
se puder ficar
mas acontece
quer dizer a casa está
digamos que não há
muito por onde uma
ou duas possam vejamos
é que estou com um ritmo
digo ao mesmo tempo
com isto para lá
com o outro preferiria
Não,
se puder ficar
mas acontece
quer dizer a casa está
digamos que não há
muito por onde uma
ou duas possam vejamos
é que estou com um ritmo
digo ao mesmo tempo
com isto para lá
com o outro preferiria
Não,
se puder ficar
mas acontece
quer dizer a casa está
digamos que não há
muito por onde uma
ou duas possam vejamos
é que estou com um ritmo
digo ao mesmo tempo
com isto para lá
com o outro preferiria
es decir la casa está
digamos que no hay
mucho por donde una
o dos puedan veamos
es que estoy con un ritmo
digo al mismo tiempo
con esto para allá
con lo otro preferiría
No,

§

Pasavante

No,
si puedes quedarte
pero sucede
es decir la casa está
digamos que no hay
mucho por donde una
o dos puedan veamos
es que estoy con un ritmo
digo al mismo tiempo
con esto para allá
con lo otro preferiría
No,
si puedes quedarte
pero sucede
es decir la casa está
digamos que no hay
mucho por donde una
o dos puedan veamos
es que estoy con un ritmo
digo al mismo tiempo
con esto para allá
con lo otro preferiría
No,
si puedes quedarte
pero sucede

§§§


(Yanko González - III Encuentro Latinoamericano de Poesía Actual Poquita Fe. Chascona, Fundación Neruda, 8 de outubro de 2008. Realización Audiovisual: Ignacio Muñoz. Cámara: Felipe Cussen. Movimiento Lúdico Films.)

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