quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Walmor Corrêa e a autópsia do mito

(clique nas imagens para aumentá-las)


(Walmor Corrêa, "Ondina", 2006)



(Walmor Corrêa, "Curupira", 2006)



(Walmor Corrêa, "Ipupiara", 2006)



(Walmor Corrêa, "Capelobo", 2006)



(Walmor Corrêa, "Cachorra da palmeira", 2006)


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Walmor Corrêa nasceu em Florianópolis, em 1961. Seu trabalho visual vem recebendo cada vez mais atenção crítica, desde o início da década, quando começou a trabalhar em sua obra. Em 2004, seu trabalho recebeu uma sala especial na 26ª Bienal Internacional de São Paulo, participando nos anos seguintes do Panorama da Arte Brasileira, no MAM-SP, e de importantes exposiçoes coletivas internacionais. Em 2006, teve trabalhos da sua série "Unheimlich", que aqui mostramos com permissão do artista, na mostra Cryptozoology, nos Estados Unidos. No momento, duas das pinturas estão em Berlim, na mostra Die Tropen. O artista vive em Porto Alegre desde 1987.

O trabalho de Walmor Corrêa tem implicações interessantes para o trabalho poético. Não apenas por estarmos interessados em questionar a taxinomia de gêneros artísticos, engessada desde o século XIX, que separa em compartimentos estanques, com regras próprias de adesão e as conseqüências críticas destas, cada manifestação est-É-tica. Em nosso caso, como poetas (que um dia trabalharam com uma maior pluralidade de possibilidades artísticas), interessa-nos contemplar o trabalho do poeta como "language art", não necessariamente manifestando-se como texto em versos e estrofes no papel. Para isto, retornamos a poetas que desafiaram as fronteiras entre gêneros, como os poetas-performers to Cabaret Voltaire e revista DADA, os Lettristes parisienses do fim da década de 40 e início da década de 50, uma releitura do legado e utilidade atual dos conceitos do grupo Noigandres, os poetas-performers do Grupo de Viena, além de poetas como Bernard Heidsieck e Henri Chopin ou os autores ligados à revista L=A=N=G=U=A=G=E, com sua "new sentence" manifestando-se em poesia-prosa e textos-em-série.

No entanto, todos estes exemplos pertencem ainda ao gênero poético, sem grandes perturbações. Parece-me saudável buscar mais deste borrar de fronteiras em trabalhos que resistem à classificação, seja em livros como Fragmentos de um discurso amoroso, de Roland Barthes, trabalhos do grupo Fluxus, em especial de artistas conceituais como George Brecht e Yoko Ono, ou filmes como Blue, de Derek Jarman.

A pesquisa de Walmor Corrêa, nesta série específica de pinturas, apresenta-nos um trabalho que questiona a linguagem naturalista/realista do século XIX, que ainda resiste em certas obras em prosa, sugerindo ao poeta a missão de conduzir, aos olhos do seu público, um trabalho de autópsia dos mitos, mesmo aqueles que um dia fundaram sua "tradição nacional", alicerçando suas possibilidades de um epos.


--- nota de Ricardo Domeneck

3 comentários:

anacreola disse...

gosto muito desse trabalho!

Anónimo disse...

muito belo trabalho
parabens

Rafael Nolêto disse...

Adorei!!! Inovador! Fantastico! Encantador!!!!!!!!!!!!!!!