sábado, 16 de Agosto de 2008

Sabine Scho

Sabine Scho nasceu em Ochtrup, na Alemanha, em 1970. Formou-se em Filosofia e Estudos Germânicos na Universidade de Münster. Começou a publicar seus poemas no início desta década, recebendo o importante Leonce-und-Lena-Preis por seu primeiro volume de poemas, em 2001. O livro foi publicado em uma conhecida série da Europa Verlag, em que poetas mais velhos apresentam poetas estreantes, algo como "Poeta descobre poeta". Em seu caso, o volume foi apresentado pelo poeta alemão Thomas Kling (1957 - 2005), e relançado este ano em uma segunda edição pela editora independente KookBooks, com o título Album (Berlim, 2008). Após uma passagem pela cidade de Hamburgo, Sabine Scho divide hoje seu tempo entre as cidades de Berlim e São Paulo. Ainda este ano, a poeta deve lançar sua segunda coletânea de poemas, chamada Farben.

Abaixo, apresentamos o vídeo da leitura de Sabine Scho no Poesiefestival Berlin 2008, ao lado do poeta e co-editor da Modo de Usar & Co., Ricardo Domeneck. As traduções foram feitas por Ricardo Domeneck e Rodrigo Rimon, em colaboração com a autora.



(Sabine Scho lê seus poemas "Green", "Chartreuse" e "Atomic Tangerine" no Festival de Poesia de Berlim 2008, acompanhada pelo poeta Ricardo Domeneck, que lê as suas traduções para o português, feitas com Rodrigo Rimon e a autora.)


green

jemand will, dass ich gras
sage und eine decke aus-
breite, gutes gras, die reine
üppigkeit der wiederkäuer
es ist nichts, gebe ich bereit-
willig zu verstehen, nichts als
wind in den weiden, marstaug-
lichkeit, ein blaumann aus der
schnellreinigung, vorzugsweise
photosynthese, stromatolithen-
felder, temperaturstürze in wüster
blüte, verkrustete aussicht, kosten-
lose lasergravur, nichts und kein
bisschen niederschlag




green

alguém quer que eu diga
erva e uma toalha es-
tenda, erva da boa, a pura
opulência dos ruminantes
não é nada, dou voluntaria-
mente a entender, nada mais que
vento nos salgueiros, aptidão
para Marte, macacão azul
lavado a seco, de preferência
fotossíntese, campos de
estromatólitos, quedas de
temperatura em florescência
desértica, paisagem incrustada,
gravura grátis a laser, nem nada
de nada de precipitações

§§§


chartreuse

glaub das doch bitte nicht
was man sagt, was man sieht
die abgewedelten deprivationen
der aufgehellte fleck, und frag
nicht nach fahnen, am malen
ist doch was dran, man kann
auch taschenschirme klonen
und behaupten sie seien geklaut
bis davon was sichtbar wird
bleibt regen regen, »es läuft
es rollt die leere fassade«
hat es je jemanden interessiert
was man dahinter wie destilliert



chartreuse

não acredite, por favor,
no que se diz, no que se vê
as privações subexpostas
a mancha clareada, e não peça
por correções, a pintura
tem sim seu valor, pode-se clonar
mini-guarda-chuvas também
e alegar que são roubados
até que se torne visível
chuva continua chuva, »corre
rola, a fachada vazia«
será que jamais interessou a alguém
o que se destila atrás e como?


§§§


atomic tangerine

eine tür, was für ein gebrauch
ein schloß, scharnier, kragen-
stäbchen, damit misst man
stahlzargen aus, beton, akten
und, ja, akten. »so machen wir
das licht aus«, auf stapeln von
papier, aber grauen ist doch auch
eine farbe, betont sachlich mit dem
besenstiel, beinahe wie zuhaus, nur
höher, der dritte teil des karma-
spiels fiel aus,
no alarms and
no surprises, ein korridor, was
für ein schlauch, pizza aus der
plätzchendose, und da draußen
wird es immer weißer, an weih-
nachten, heißt es, sei das so brauch
glitzerzäune, ein letztes umschlussbier

but, please, couldn’t you let me out of here


atomic tangerine

uma porta, mas que função
um cadeado, dobradiça, esticador
de colarinho, com isso se mede
um caixilho de aço, concreto, atas
e, sim, atas. »assim é que
apagamos a luz«, sobre pilhas de
papel, mas cinerário também
é uma cor, enfatiza bem concreto
com a vassoura, quase em casa, só
que mais alto, cancelou-se o terceiro
ato duma peça de carma, no alarms and
no surprises
, um corredor, mas
que distensão, pizza na lata
de biscoito, e lá fora
cada vez mais branco, na noite
de Natal, diz-se, costuma ser assim,
grades brilhantes, última cerveja
entre detentos, but, please, couldn’t you
let me out of here

1 comentários:

Xavier disse...

apareço aqui e muito gostei do trabalho de vocês. a poetisa me causou curiosidade. eixo abraços de estima.

aparecerei mais vezes.
Xavier

www.clubedecarteado.blogspot.com