terça-feira, 18 de Março de 2008

Sandra Santana


Sandra Santana nasceu em 1978, em Madri. A editora espanhola Pre-Textos acaba de lançar seu livro "Es el verbo tan frágil", de onde retiramos os poemas a seguir. Sandra Santana estudou filosofia na Universidad Complutense da capital espanhola, terminando seus estudos em Viena e Berlim. Traduziu o poeta Karl Kraus (Palabras en versos, 2005), e ainda Ernst Jandl e Friederike Mayröcker. Faz parte do coletivo El Águila Ediciones.




Poemas do livro “Es el verbo tan frágil”, de Sandra Santana


El médico le rogó que tratase de ser más concisa: “Exactamente, ¿dónde le duele?”. Pero, en el transcurso del movimiento del dedo índice hacia la rodilla, aquel dolor metálico se disolvía en una especie de cosquilleo burbujeante en el talón izquierdo. Detuvo la mano avergonzada y empezó de nuevo, tratando esta vez de prestar un poco más de atención.


O médico pediu-lhe que tentasse ser mais precisa: “Onde dói, exatamente?”. Mas, no trajeto em movimento do dedo indicador ao joelho, aquela dor metálica se dissolvia em uma espécie de cócega borbulhante no calcanhar esquerdo. Deteve a mão constrangida e começou de novo, tentando prestar desta vez um pouco mais de atenção.


§§§


Por qué las brújulas no funcionan en el interior y cómo adivinar hacia dónde se dirige la aguja desde la mirada

Tratamos de perseguir sus movimientos
pero el final de cada trazo

era vivido como un fracaso total en la búsqueda de la figura.

¿Será la eternidad esquiva –nos preguntamos escépticos– lo que se oculta tras el color de nuestros actos?

(Y a todos nos pareció entonces que habíamos iniciado un camino
pero al encender la luz

encontramos de nuevo el muro en blanco).


Por que as bússolas não funcionam em interiores e como adivinhar a direção do ponteiro a partir dos olhos


Tratamos de perseguir seus movimentos
mas o final de cada tra
ço
era vivido como um fracasso total na busca da figura.


Será a eternidade esquiva – perguntamo-nos, céticos – o que se oculta sob a cor de nossos atos?


(E a todos nós parecia havermos come
çado um caminho
mas ao acender a luz

encontramos de novo o muro em branco).

§§§

Rupturas disimuladas tras una carita sonriente

Siempre detecto un gesto
de incredulidad

cuando te hablo acerca de los frágiles mecanismos

ocultos tras una apariencia infantil.


Como no crees en ellos, lo dejaste

caer y me miraste victorioso

al ver su superficie intacta a pesar del impacto.


Imagina lo que sentí al recogerlo

y escuchar esa pieza suelta en su interior.




Rupturas dissimuladas sob uma carinha sorridente


Sempre detecto um gesto

de incredulidade

quando conversamos sobre os frágeis mecanismos

ocultos sob uma aparência infantil.


Como você n
ão crê neles, derrubou-o
e me encarou triunfante

ao ver a superfície intacta apesar do impacto.


Imagine o que senti ao erguê-lo

e escutar esta pe
ça solta em seu interior.


§§§

“Me siento sola”, dijo. Y obtuvo un sorprendente consuelo al escuchar el eco que el interior de la palabra “sola” provocaba al ser atravesada por su voz.

Sinto-me sozinha, disse. E obteve uma consolação surpreendente ao ouvir o eco que o interior da palavra “sozinha” provocava ao ser atravessada por sua voz.


§§§


Porque es tan maravilloso que él esté ahí sentado y hable de cosas que se pierden en las alturas hasta que vuelven a caer de pronto como una pelota de goma que hubiese quedado prendida en la rama de un árbol


Ahora, con la pequeña esfera entre las manos, tendría ocasión de poner de manifiesto su destreza



si encontrase algún acertado lugar hacia el que dirigirla.


Porque é tão maravilhoso que ele esteja ali sentado e fale de coisas que se perdem nas alturas até que voltem a cair de repente como uma bola de borracha que houvesse ficado presa nos galhos de uma árvore


Agora, com a pequena esfera entre as m
ãos, teria a chance de fazer manifesta sua destreza


se encontrasse algum lugar definitivo ao qual guiá-la.





tradução de Ricardo Domeneck


1 comentários:

Paulodaluzmoreira disse...

Excelente poeta! Onde se pode comprar seu livro?