sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Susana Thénon (1935 - 1991)


susana thénon nasceu em buenos aires em 1935 e morreu na mesma cidade aos 56 anos. com alejandra pizarnik (1936-1972) e juana bignozzi (1937), fez parte da chamada generación del 60. publicou cinco livros. o último, "ova completa", saiu em 1987, quatro anos depois do fim da ditadura militar. "ova completa", do qual publicamos o poema abaixo, ironiza a imbecilidade da ditadura, a escrita de mulheres, o saber acadêmico. está esgotado, mas em 2001 a editora corrigidor publicou suas obras completas sob o título "la morada imposible".




- onde é a saída?
- desculpe?
- perguntei onde é a saída
- não
não há saída
- mas como se eu entrei?
- claro
lembro de você
e além disso a vejo
mas saída
saída não há
viu?
- mas não pode ser
vou sair por onde entrei
- não
já está muito tarde
desde as dez a entrada está proibida
e além disso o que você quer? que me façam uma lavagem cerebral
por deixar uma pessoa sair
pela entrada?
- escute
deve haver uma maneira de chegar à rua
- já perguntou em informações?
- sim
mas me mandaram vir aqui
- então
e eu estou dizendo que não há saída
- onde é o telefone?
- vai ligar para quem?
- para a polícia
- aqui é a polícia
- mas você está louco? aqui é uma sala
de concertos
- isso até certa hora
depois é a polícia
- e o que vai acontecer comigo?
- depende do delegado de plantão
se for o Loiácono
pode te deixar barato
e em menos de alguns dias você está fora
- mas isso é uma loucura
onde estão as outras pessoas?
- setor de detidos
primeiro subsolo
- por que
estão fazendo
isso?
- vamos tia
não me diga que nunca foi a um concerto



- dónde está la salida?
- perdón?
- le preguntaba donde está la salida
- no
no hay salida
-pero cómo si yo entré?
- claro
yo la recuerdo
además la estoy viendo
pero salida
salida no hay
vió?
- pero no puede ser
voy a salir por donde entré
-no
ya es muy tarde
desde las diez hay entrada prohibida
además qué quiere? qué me dén un lavado de cabeza
dejando salir a una persona
por la entrada?
-escúcheme
tiene que haber un modo de llegar a la calle
-ya preguntó en informes?
- sí
pero me mandaron a usted
- y bueno
y yo le digo que no hay salida
- dónde hay un teléfono
- para llamar a quién?
- a la policía
- esto es la policía
- pero está loco? si es una sala
de conciertos
- eso hasta cierta hora
después es la policía
- y qué me va a pasar?
- depende del comisario de turno
si le toca Loiácono
por ahí la saca barata
y en menos de unos días está afuera
- pero esto es una locura
dónde está la otra gente?
- sector de confinados
primer subsuelo
- por qué
hacen
esto?
- vamos tía
no me diga que nunca fue a un concierto




(tradução + nota: angélica freitas)

3 comentários:

Paulodaluzmoreira disse...

Excelente!

Rui Manuel Amaral disse...

Texto fantástico.

ana rüsche disse...

oi,

esse poema é fantástico, gracias, gracias pelo achado...

e o blogue também está ótimo - o problema é que no trampo minha net bloqueia o blogspot.

enfim, mandem ver.

beijos